Dez 07 2010
“Curriculum Completo”
Desde 6ª Feira, dia 3 de Dezembro, sinto-me um atleta de Curriculum completo. Depois de 15 anos a praticar Esgrima, várias medalhas conquistadas e participação em centenas de competições, fui agora sujeito a uma intervenção cirúrgica.
Há algum tempo lesionei-me no joelho e para recuperar foi-me proposto pelo Dr. Pereira de Castro, médico que me acompanhou neste episódio, realizar uma artroscopia. Confesso que nunca fui muito adepto desta solução, mas para recuperar rapidamente e poder treinar e competir sem dores e/ou limitações tinha mesmo que ser.
Apesar de, após o Campeonato do Mundo, ter conseguido marcar a intervenção para dia 19 de Novembro, fui obrigado a adiá-la. Este adiamento resultou da forma, quanto a mim pouco adequada, como a Federação Portuguesa de Esgrima tem agido neste processo:
1) É muito claro, e parece que clinicamente evidente , que a lesão decorreu directamente de um trauma consequente à prática da esgrima, no entanto ainda não foi possível conseguir que o seguro contratado pela FPE à companhia Generali fosse activado e útil.
2) O tratamento da lesão é dispendioso e eu precisei de apoio para o realizar em tempo oportuno enquanto a questão com a companhia de seguros decorre. De facto, tenho que entrar em Janeiro na fase final de preparação para a qualificação Olímpica e o tempo urge. O Comité Olímpico Português, tendo em atenção este facto, resolveu fazer um adiantamento FPE para apoiar o meu tratamento. Do valor do adiantamento do COP a FPE decidiu disponibilizar-me apenas um terço.
3) Perdi assim quinze dias a reunir os recursos necessários para o tratamento porque o adiantamento da FPE não cobre sequer 1/6 das necessidades totais (agora tenho a noção exacta dos custos) . Estes quinze dias são cruciais para o meu planeamento e nunca deveriam ter sido perdidos.
Espero que este assunto possa ter uma solução decente. Espero que o seguro cumpra o seu papel e que a FPE (cliente da seguradora) saiba agir de forma adequada. Espero que a FPE administre de forma sensata os recursos que lhe são disponibilizados (vejamos, se eu não tivesse conseguido ser operado não poderia competir, daqui decorre directamente que a hierarquia de prioridades da FPE foi errada). Isto é independente das dificuldades financeiras e de gestão que a FPE possa ter atravessado, atravesse ou venha a atravessar.
Espero também que o apoio ainda chegue porque sei que os recursos existem tratando-se apenas de gerir as prioridades. Como atrás disse, se eu não tratasse esta lesão, nem valeria a pena pensar em participar em provas no futuro. First things first…
Apesar de todos os problemas, há agradecimentos a fazer:
- À minha família pelo suporte e disponibilidade para ultrapassar esta situação.
- À Sofia por toda a ajuda e por me aturar neste momento complicado.
- Ao Helder Alves por estar sempre do meu lado e por me ter ajudado a lidar com esta situação.
- Ao João Pontares pela ajuda nas deslocações.
- Ao Carlos Carvalho, digirente do meu clube, sempre disponível para ajudar e realizar as diligências necessárias para resolver qualquer problema.
- À Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar por ter garantido o apoio necessário nesta situação.
- Ao Dr. José Fernando Santos, médico da Federação, pela orientação durante todo este processo.
- Ao Dr. Pereira de Castro, médico que me acompanha desde o início do processo e que realizou a intervenção, mesmo quando estava em período de férias, para que a recuperação não comprometa a minha participação no calendário internacional. Obrigado também à sua equipa.
- Ao Fisioterapeuta Armando Jorge, pelo acompanhamento sempre personalizado, atento e bem-disposto.
- Ao Comité Olímpico de Portugal, por ter concedido o apoio, e de forma célere.
- Ao Dr. Paulo Beckert pelo apoio na recuperação.
- Aos meus colegas da Faculdade de Motricidade Humana, com quem realizo os trabalhos de grupo, por me darem uma folga nestes primeiros dias de recuperação.







