Out 24 2011

O desporto não escolhe idades…

Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 16:59

No Sábado passado conheci um atleta do qual fiquei imediatamente fã. Francisco Vicente tem 79 anos e pratica Atletismo. Começou a correr aos 52 anos de idade e, até à data, já conquistou 71 medalhas internacionais (41 de Ouro, 18 de Prata, 12 de Bronze), algumas em Campeonatos da Europa e do Mundo.

Enquanto aquecia para a sua prova, eu e o grupo de pessoas com quem estava, admirávamos a sua tarefa e questionávamos como seria a sua prestação. Durante a prova, quando passava pelo ponto onde estávamos, aplaudíamos e incentivávamos o Sr. Francisco, que nunca esboçou um sorriso sequer. Quando terminou dirigimo-nos a ele para o conhecer, felicitar e tirar umas fotografias.

Este grande atleta recebeu-nos muito bem e fartou-se de nos contar histórias e partilhar experiências que nos deliciaram. Entre as histórias dizia ele: “Tenho 79 e já me custa competir com os de 75 anos. (…) Para o ano faço 80 e aí já ninguém me apanha!” (escalão dos 80 aos 85).
Mas a história mais hilariante, para mim, foi a da sua primeira competição, algures lá para os 55 anos. Contava o Sr. Francisco que numa prova de 14 km, em Odivelas, quando ainda ninguém o conhecia, na altura de fazer a classificação final alguém o avisou que se estavam a “esquecer” dele. Então ele dirigiu-se aos senhores que preparavam a classificação e alertou para o facto de não o estarem a incluir, ao que eles insinuaram que o Sr. Francisco tinha feito batota. A resposta dele foi: “Vão lá vestir o equipamento e vamos correr lá para fora outra vez!”.

Desejo ao Sr. Francisco Vicente o maior sucesso e espero conseguir uma carreira tão longa e bem sucedida como a sua!


Dez 07 2010

“Curriculum Completo”

Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 21:11

Desde 6ª Feira, dia 3 de Dezembro, sinto-me um atleta de Curriculum completo. Depois de 15 anos a praticar Esgrima, várias medalhas conquistadas e participação em centenas de competições, fui agora sujeito a uma intervenção cirúrgica.
Há algum tempo lesionei-me no joelho e para recuperar foi-me proposto pelo Dr. Pereira de Castro, médico que me acompanhou neste episódio, realizar uma artroscopia. Confesso que nunca fui muito adepto desta solução, mas para recuperar rapidamente e poder treinar e competir sem dores e/ou limitações tinha mesmo que ser.
Apesar de, após o Campeonato do Mundo, ter conseguido marcar a intervenção para dia 19 de Novembro, fui obrigado a adiá-la. Este adiamento resultou da forma, quanto a mim pouco adequada, como a Federação Portuguesa de Esgrima tem agido neste processo:

1) É muito claro, e parece que clinicamente evidente , que a lesão decorreu directamente de um trauma consequente à prática da esgrima, no entanto ainda não foi possível conseguir que o seguro contratado pela FPE à companhia Generali fosse activado e útil.

2) O tratamento da lesão é dispendioso e eu precisei de apoio para o realizar em tempo oportuno enquanto a questão com a companhia de seguros decorre. De facto, tenho que entrar em Janeiro na fase final de preparação para a qualificação Olímpica e o tempo urge. O Comité Olímpico Português, tendo em atenção este facto, resolveu fazer um adiantamento FPE para apoiar o meu tratamento. Do valor do adiantamento do COP a FPE decidiu disponibilizar-me apenas um terço.

3) Perdi assim quinze dias a reunir os recursos necessários para o tratamento porque o adiantamento da FPE não cobre sequer 1/6 das necessidades totais (agora tenho a noção exacta dos custos) . Estes quinze dias são cruciais para o meu planeamento e nunca deveriam ter sido perdidos.

Espero que este assunto possa ter uma solução decente. Espero que o seguro cumpra o seu papel e que a FPE (cliente da seguradora) saiba agir de forma adequada. Espero que a FPE administre de forma sensata os recursos que lhe são disponibilizados (vejamos, se eu não tivesse conseguido ser operado não poderia competir, daqui decorre directamente que a hierarquia de prioridades da FPE foi errada). Isto é independente das dificuldades financeiras e de gestão que a FPE possa ter atravessado, atravesse ou venha a atravessar.

Espero também que o apoio ainda chegue porque sei que os recursos existem tratando-se apenas de gerir as prioridades. Como atrás disse, se eu não tratasse esta lesão, nem valeria a pena pensar em participar em provas no futuro. First things first…

Apesar de todos os problemas, há agradecimentos a fazer:
- À minha família pelo suporte e disponibilidade para ultrapassar esta situação.
- À Sofia por toda a ajuda e por me aturar neste momento complicado.
- Ao Helder Alves por estar sempre do meu lado e por me ter ajudado a lidar com esta situação.
- Ao João Pontares pela ajuda nas deslocações.
- Ao Carlos Carvalho, digirente do meu clube, sempre disponível para ajudar e realizar as diligências necessárias para resolver qualquer problema.
- À Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar por ter garantido o apoio necessário nesta situação.
- Ao Dr. José Fernando Santos, médico da Federação, pela orientação durante todo este processo.
- Ao Dr. Pereira de Castro, médico que me acompanha desde o início do processo e que realizou a intervenção, mesmo quando estava em período de férias, para que a recuperação não comprometa a minha participação no calendário internacional. Obrigado também à sua equipa.
- Ao Fisioterapeuta Armando Jorge, pelo acompanhamento sempre personalizado, atento e bem-disposto.
- Ao Comité Olímpico de Portugal, por ter concedido o apoio, e de forma célere.
- Ao Dr. Paulo Beckert pelo apoio na recuperação.
- Aos meus colegas da Faculdade de Motricidade Humana, com quem realizo os trabalhos de grupo, por me darem uma folga nestes primeiros dias de recuperação.


Jun 08 2010

Taça do Mundo de Caguas 2010

Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 14:07

Seria normal que ao lerem este título estivessem à espera de saber notícias da Taça do Mundo, resultados desportivos é claro! No entanto, escrevo este artigo para partilhar convosco uma história totalmente inacreditável que também poderia ter o nome do filme de Brad Silberling, que tem Jim Carrey no papel principal, Lemony Snicket’s A Series of Unfortunate Events (Lemony Snicket’s: Uma Série de Desgraças). Deixo-vos aqui um resumo:

  • Partida de Lisboa: 8h35 do dia 3 de Junho de 2010
  • Chegada prevista a San Juan, Porto Rico: 21h35 do dia 3 de Junho de 2010 (1h35, hora de Lisboa)
    • 1. Vistos em falta: Começou tudo como uma viagem normal, a rotina do costume, encontro 2 horas antes no aeroporto, espera na fila do check in, mas quando fomos atendidos percebemos que as coisas iam correr mal. Quando a funcionária do check in nos solicitou os vistos fomos completamente apanhados de surpresa pois tínhamos sido avisados que para Porto Rico não era necessário. O supervisor referiu o ESTA (Electronic System for Travel Authorization), que também não possuíamos, e sugeriu que fossemos fazê-lo rapidamente num posto de internet. Separámo-nos de forma a conseguirmos resolver o problema e após um coordenado trabalho de equipa conseguimos obter os ESTA. Terminámos o check in mesmo em cima do encerramento e começamos a temer que os sacos de armas não chegassem ao destino por termos terminado as formalidades de check in em cima da hora.
    • 2. Tempestade em Miami: Quando estávamos a chegar a Miami, deparamos com uma tempestade. Para além da turbulência, e quem me conhece sabe bem a força com que me agarro à cadeira e como fico suado quando isso acontece, fomos alertados que teríamos que ficar em espera para aterrar. Passado algum tempo, o piloto avisou que iríamos aterrar e percebemos claramente que nos dirigíamos para a pista, o trem de aterragem foi baixado. A meio da aterragem sentimos uma potente aceleração e percebemos que o piloto tinha abortado a aterragem. Já estava branco e suado e… sei lá mais o quê!
    • 3. Voo desviado: Após a aterragem abortada, voltámos para as “voltinhas” nos céus de Miami. Algum tempo depois, dirigimo-nos para a pista e aterragem perfeitamente normal, com aplausos e tudo! A hospedeira com as habituais boas-vindas a fazer lembrar a música de Will Smith, Miami (Welcome to Miami… Bienvenidos a Miami). Pois é, mas não estávamos em Miami, tínhamos sido desviados para Fort Lauderdale! E aí ficamos, dentro do avião, até que Miami abriu o espaço aéreo.
    • 4. Voo para San Juan perdido: Quando finalmente aterrámos em Miami, horas após o previsto, já tinha passado a hora do voo para San Juan. Fomos encaminhados para um balcão da companhia aérea e tentámos arranjar um voo que nos levasse a San Juan. No dia 3 já não havia mais voos e no dia seguinte, os dois da manhã, estavam cheios e com lista de espera. A funcionária disse que não tinha acesso a mais do que estes dois voos e depois de falarmos cordialmente, gritarmos, “chorarmos”, implorarmos, propôs-nos uma alternativa: ir para Baltimore (3 horas para norte) e no dia seguinte embarcar no voo das 8h20 para San Juan (4 horas de voo). Não era a melhor opção, mas era o que havia e dava para chegar a tempo ao pavilhão da competição.
    • 5. Noite em Baltimore: Chegámos tarde a Baltimore e sem um dos sacos, a bagagem do João Cordeiro não tinha chegado. Encontrámos um restaurante aberto no aeroporto e aproveitámos para parar, respirar um pouco e forrar o estômago. Por sugestão duma funcionária da companhia aérea, “marcámos” uma noite no Hotel Observation Deck, chão e bancos do Observation Deck do aeroporto de Baltimore. Aí ficámos até ser altura de fazer o check in para San Juan.
    • 6. Voo cancelado: Depois de todos os infortúnios, estávamos no avião prontos para ir para San Juan e acreditávamos que apesar de tudo era possível estar na competição a tempo de confirmar a presença. Confirmando a série de infortúnios, chegámos à pista, prestes a descolar, recebemos informação do piloto de que tinha detectado uma anomalia e que iríamos regressar para verificar o que se passava. Depois de algum tempo de espera, o piloto sugeriu que os passageiros abandonassem o avião enquanto era feita a reparação. Já no aeroporto foi transmitida a informação de voo cancelado.
    • 7. Voo perdido: Os passageiros foram encaminhados para o balcão da companhia aérea e depois de uma longa espera na fila, a funcionária informou-nos que estávamos automaticamente no voo do dia seguinte. Claro que de nada nos valia, pois perderíamos a competição. Tentámos novas ligações e nada. Apesar de termos ficado convencidos de que a funcionária não tinha feito o seu melhor, decidimos regressar a Portugal. Assim, marcaram-nos um voo do aeroporto Ronald Reagan de Washington (a 1 hora de carro) para Boston, daí para Madrid e por fim Lisboa. Saímos do aeroporto de Baltimore 1h30 antes da partida do voo de Washington. O taxistas fez o carro “voar”, mas quando chegámos ao aeroporto, 30 minutos antes da partida, não nos deixaram embarcar. Perdemos o voo de regresso!
    • 8. Regresso: Tendo perdido o voo, só nos restou ir ao balcão solicitar outro itinerário para Portugal. Fomos reencaminhados dumas companhias para as outras até àquela que era responsável pelo voo de Baltimore para San Juan. Fomos atendidos por uma funcionária que rapidamente nos arranjou um itinerário de regresso que nos traria a Lisboa antes do que nos tinha sido oferecido antes. Aproveitámos o tempo de espera para tomar uma bela e descansada refeição e ainda houve tempo para uma visita relâmpago à loja da Apple, em Pentagon City.
    • 9. Última tentativa: O regresso a Lisboa foi feito por Newark e, assim que aterrámos, ainda tentámos trocar os bilhetes para seguir para Porto Rico. Com o atraso do voo, foi retido um voo para San Juan para permitir aos passageiros do nosso voo de embarcar. Com as trocas e as bagagens tornava-se impossível apanhar esse voo.

    Resultado final:
    Aterrámos em Portugal por volta das 8h25 do dia 5 de Junho de 2010.
    Realizámos 5 viagens de avião e passámos por 6 aeroportos diferentes.
    Saímos de Portugal com 3 sacos de armas e regressámos com 2.
    Passámos cerca de 48 horas entre voos e aeroportos.
    Não chegámos ao destino!


    Jan 02 2010

    Esquiva

    Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 18:00

    A Esquiva é uma revista de publicação online criada pela Academia de Esgrima João Gomes. Pelo facto de ser a única do género na Esgrima Portuguesa e aproveitando a publicação de uma entrevista realizada a mim, decidi solicitar autorização, aos colaboradores da Academia, para publicar a Esquiva no site. Assim, aqui fica a última edição:
    Esquiva nº 15


    Dez 22 2009

    3ª Edição da Super Taça

    Tag: ArtigosCeriz @ 1:45

    Decorreu no passado dia 19 a 3ª Edição da Super Taça. Esta competição criada pela FPE coloca frente a frente o Campeão Nacional e o vencedor do Ranking Nacional de cada arma, da época anterior.
    Joaquim Videira, participante em todas as edições, defrontou João Cordeiro, tendo perdido 11-12.

    Nas restantes armas os resultados foram os seguintes:
    Em espada feminina, Ana Vicente (CAE) venceu a Inês Hermínio (GCP).
    Em florete feminino, Débora Nogueira (GCP) venceu a Mariana Ramos (AEJG).
    Em sabre masculino, Miguel Teixeira (CAE) venceu a Filinto Girão Osório (AAACM).
    Em florete masculino, João Gomes (AEJG) venceu a Álvaro Noite (CDRS).


    Out 06 2009

    Resumo da Época Internacional 2008/09

    Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 16:22

    Terminou a Época Internacional 2008/09. O balanço da prestação dos atiradores portugueses de espada é francamente positivo e pode ser comprovado pelo resumo que se apresenta na tabela seguinte:

    |Ranking FIE | |Nome do Atirador | |Pontos contabilizados | |Pontos não contabilizados|
    22º Joaquim Videira 98 pontos 8 pontos
    43º João Cordeiro 54 pontos 6 pontos
    112º Pedro Arede 20 pontos 0 pontos
    227º Ricardo Candeias 7 pontos 0 pontos
    233º Filipe Pequito 6 pontos 0 pontos
    395º João Ceriz 2 pontos 0 pontos
    405º Hugo Borges 2 pontos 0 pontos

    Nota: Existem mais atiradores portugueses no Ranking FIE, porém apenas são considerados os atiradores que alcançaram pontos em competições pontuáveis para o Ranking FIE.


    Mai 12 2009

    Videira termina Challenge Monal em 26º

    Tag: Artigosadmin @ 12:24

    A participação de Joaquim Videira na Taça do Mundo de Paris terminou com a classificação entre os 32 primeiros atiradores, numa competição disputada por 160 atiradores. Uma excelente prestação naquela que é considerada a competição mais emblemática do Circuito da Taça do Mundo de Espada Masculina.
    No 1º dia de competição, Videira obteve 5 vitórias na poule, tendo perdido apenas um assalto pela diferença mínima (4-5). Apesar da boa prestação na fase de poules, não foi directamente apurado para o quadro principal, tendo para isso que eliminar o atirador italiano Riccardo Schiavina.
    No quadro principal, o 1º adversário foi Bertalan Arkosi, da Roménia, que Videira afastou por 15-8. No assalto seguinte (quadro de 32), frente a Max Heinzer (Suiça), o atirador da AAACM foi vencido por 13-15.

    Os outros atiradores portugueses presentes na competição foram João Barreiros e Ricardo Candeias que se classificaram, respectivamente, em 144º e 149º. Ambos os atiradores foram eliminados na fase de poules, tendo João Barreiros vencido 1 assalto e Ricado Candeias a terminar sem qualquer vitória.

    Os atiradores medalhados na Taça do Mundo de Paris foram:
    Medalha de ouro: Gauthier Grumier (França)
    Medalha de prata: Gabor Boczko (Hungria)
    Medalhas de bronze: Andras Rédli (Hungria) e Ulrich Robeiri (França)


    Mai 04 2009

    Bronze para Videira na Preparação VI

    Tag: Artigosadmin @ 11:09

    O atirador da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar conquistou a medalha de bronze na competição Preparação VI, realizada no CMEFD (Centro Militar de Educação Física e Desportos), em Mafra.
    Joaquim Videira foi vencido na meia-final pelo atirador João Gomes (AEJG). Antes de ser eliminado, Videira afastou João Barreiros (AAACM), João Pedro Faria (CAE) e Miguel Teixeira (CAE).

    No próximo fim-de-semana (9 e10 de Maio), Joaquim Videira regressa às competições internacionais, deslocando-se a Paris para disputar o conceituado Challenge Monal.

    Os primeiros classificados foram:
    1º Lugar para João Cordeiro (Clube Atlântico de Esgrima)
    2º Lugar para João Gomes (Academia de Esgrima João Gomes)
    3º Lugar para Joaquim Videira (Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar) e Filipe Pequito (Clube Atlântico de Esgrima)


    Fev 04 2009

    Ainda sobre os Jogos Olímpicos…

    Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 18:11

    No final dos Jogos Olímpicos, o Gustavo Lima escreveu uma reflexão que foi publicada na impressa. Por achar interessante e por concordar com o que o Gustavo escreveu, decidi publicar no site. Aqui fica:

    Jogos Olímpicos

    Existem milhões de praticantes desportivos existentes em todo o mundo e poucos são os que desde cedo não ambicionam o apuramento olímpico, contudo apenas alguns milhares o conseguem. Ser apurado para os Jogos Olímpicos é desde logo uma vitória, é fazer parte de um patamar de excelência onde muito poucos conseguem ascender.

    O apuramento Olímpico é sinónimo de esforço, de tenacidade, de capacidade de sacrifício e de superação, de rigor de disciplina, mas antes do mais, do sucesso. Um sucesso que não podemos deixar de enaltecer e que temos a obrigação de destacar.

    Na verdade a esmagadora maioria dos portugueses acha que se está bem na caminha, ou a ver uma novela, ou a ver um jogo de futebol, ou a fazer uma visita ao hipermercado ou centro comercial, ou a gastar o que se tem e o que não se tem em artigos de consumo, em carros mais potentes que são multados por alta velocidade mas que enchem os olhos aos vizinhos. Se a maioria dos portugueses não faz um esforço para apagar a televisão, ler um bom livro, fazer uma viagem ou investir em conhecimento, tirando novos cursos, mestrados, doutoramentos, porque é que o Marco Fortes não deve achar que na caminha é que se está bem.

    É irónico que um País alienado com o futebol, encarando com naturalidade que os jogadores ganhem trinta e quarenta mil contos por mês, se indigne com os gastos com os atletas olímpicos, que ficam muito abaixo de uma clausula de rescisão de uma estrela de futebol. Ainda por cima, o futebol suga milhões às famílias, muitas vezes não dá resultados e é tratado nas palminhas. Os atletas olímpicos, muito jovens sem cheta no bolso, condenados ao empobrecimento pelo desporto amador que praticam são os que têm que ganhar medalhas, para abrirem patrioticamente os telejornais.

    Em Portugal ninguém liga pevide ao desporto que não seja futebol… Mas o que nos falta em investimento sobra-nos em megalomania. Choveram acusações aos atletas portugueses, que lhes falta ética, não têm honra, andam a fazer turismo e que andaram a gastar o dinheiro dos contribuintes. Seria um bom exercício se cada um de nos verificasse se é um campeão na sua profissão: se o jornalista que criticou os judocas avaliasse se é o melhor jornalista do mundo, se o operário que criticou a Naide Gomes verificasse se é o melhor operário da sua empresa, se o politico que avaliou negativamente o Francis Obikwelu concluísse que é o melhor politico do seu partido, se a dona de casa que desdenhou o lançador de peso constatasse que é a melhor mãe do mundo. Só assim cada um de nos teria autoridade moral para exigir que os outros fossem campeões olímpicos.

    Infelizmente para Portugal bater no ceguinho não é um desporto olímpico. Caso contrário, não haveria Michael Phelps ou chinês dopado que nos tirasse o ouro.

    Durante os Jogos Olímpicos de Pequim o País teve oportunidade de ver desporto Mas durante esses 15 dias os jornais desportivos quase não deram uma primeira página de notícia das modalidades. Entre cada Jogos Olímpicos que são 1500 dias e quase não tivemos um dia desses desportos na TV, vai-se lá saber porquê, assistimos a futebol e enchemo-nos de telenovelas.
    Somos um país pequeno com muito para aprender, mas ouve alguém que disse, “mas o Zimbabué ganhou uma medalha”. Claro, o atleta do Zimbabué vive nos Estados Unidos, onde os atletas são apoiados por grandes universidades e por grandes empresários.

    O sucesso desportivo alcançado em algumas modalidades em Portugal, é fruto de um esforço individual, determinação, dedicação, horas de treino e não pelo investimento feito pelo COP, IDP ou SE!

    Os atletas por deixarem os estudos ficam sem alternativa, sujeitos ao sistema e ao poder político. Treinam 5, 6 horas por dia e ficam exaustos. É impossível compatibilizar uma vida profissional com os treinos, isto porque os contratos programa exigem resultados de excelência para a permanência no Projecto Olímpico que só com largas horas de treino diárias isso é possível. E muitas vezes o sucesso nem sequer é alcançado devido à falta de investimento na competitividade nacional.

    Os atletas portugueses todos os anos têm que ser dos melhores do mundo para se manterem no Projecto Olímpico, não recebem subsídios de férias nem décimos terceiros, não recebem os subsídios dentro do previsto no contrato, alguns atletas têm que adiantar verbas próprias para manterem os próprios projectos activos sem interrupções.

    Deverá ser definido quanto é que Portugal está disposto a investir para conquistar mais medalhas.

    Para terminar gostaria de transmitir que melhores condições maior probabilidade de resultados.

    Gustavo Lima


    Jan 17 2009

    Aniversário do site joaquimvideira.com

    Tag: ArtigosJoaquim Videira @ 18:27

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    Completa hoje um ano que o site joaquimvideira.com foi oficialmente colocado online.
    A iniciativa de criar o site partir do Carlos Rio de Carvalho, entusiasticamente aceite e apoiada por mim. Contudo, foi graças ao apoio da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar e ao talento informático do Samuel Má que foi possível concretizar esta ideia.
    Com um ano de existência, penso poder afirmar que o projecto é um sucesso e que por isso estamos de parabéns.
    O site conta conta com notícias, artigos e informações do atirador Joaquim Videira e na estatística do site tem mais de 80.000 clicks de mais de 7500 acessos distintos.
    A estrutura do site tem sofrido constantes actualizações, procurando-se sempre que possível actualizar as páginas de carácter menos dinâmico. A criação de uma galeria veio também dar mais dinâmica ao site, pois permite aos visitantes ter acesso a uma biblioteca digital que foi dividida da seguinte forma:
    • Fotografias: fotografias pessoais e em competição
    • Recortes: entrevistas e notícias publicadas em jornais e revistas
    • Vídeos: reportagens, notícias e entrevistas passadas na televisão ou em outros sites
    • Sons: entrevistas para a rádio


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